A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 238

Um regime de homens cínicos cracias que, como vimos, estão fundadas na ressignificação do trabalho, determinarão, a partir daí, o próprio senso de cidada- nia. “O cidadão macho, adulto e branco no comando” dividirá, a contragosto, o poder da cidade: a diversidade sexual, a mulher, o negro, o índio, outros tantos personagens, tantas sensibilidades, ocupam a praça... e a ocupação não se dará, como pode parecer de forma espontânea e gradual. O jogo é de forças. A própria expressão ‘governo democrático’ é contraditória, mais ainda, a exigência da representatividade, que enfraquece em vários aspectos um regime baseado na participação. O me- nos pior dos regimes, de homens cínicos, são formas de tradu- zir a democracia. Contradizer é seu habitat. Recuperar o caráter participativo das democracias é o desafio do século, se ainda for interesse que a democracia se mantenha. Referências bibliográficas DELEUZE, Gilles. Ser de esquerda. Entrevista. 2014. Disponível em: . Acesso em: 13 maio 2017. KOJÈVE, Alexander. Introdução à leitura de Hegel. Trad. Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto; UERJ, 2002. KUIAVA, Evaldo Antônio. A responsabilidade como princípio ético em H. Jonas e E. Lévinas: uma aproximação. Veritas, Porto Alegre, v. 51, n. 2, p. 55-60, jun. 2006. LEVINAS, Emmanuel. Les imprévus de l’histoire. Pref. Pierre Hayat. Paris: Fata Morgana, 1994. MAISTRE, Joseph de; BLANC, Albert. Correspondance diplomatique. Paris: Michel Lévy. Frères Libraires Editeurs, 1860. Tome 2. Dispoível em: . 237 de 244