A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Página 188
A singularidade e os direitos humanos na sociedade democrática
pretende promover um acordo profundo entre os homens, senão
uma verdade cuja natureza consiste precisamente em realizar
semelhante acordo, uma verdade cuja essência seja a universa-
lidade? Para nosso autor a resposta a essa pergunta encontra-se
na aurora da modernidade com Galileu Galilei que através do
conhecimento geométrico do mundo opõe-se de maneira deci-
siva à experiência sensível, individual, variável, e contingente. O
que ele propunha era uma nova verdade, uma verdade forjada
a base de proposições racionais e enquanto tais, universalmente
válida. “Deste modo se forja a aliança do princípio galileano com
o princípio democrático, essa união edifica a modernidade. Os
sinais dessa afinidade aparecem na maneira como a democracia
privilegia a ciência, torna-a o modelo exclusivo do saber” (Henry,
2014, p. 424).
As ciências, que se alegam as detentoras do verdadeiro sa-
ber, acabam invadindo os programas das Universidades, privile-
giando seus créditos e diminuindo, por exemplo, as disciplinas
literárias que possuem os valores da cultura tradicional, despo-
jando-as de toda significação de verdade. Porém, Michel Henry
acredita que o homem não acaba sendo excluído totalmente des-
se novo saber, que orienta para um conhecimento objetivo dos
processos materiais da natureza. O que acontece de fato é que
as novas ciências humanas tornam-se elas mesmas objetivas e o
mesmo acontece com seu método e seu objeto. “O homem acaba
assim reduzido a fenômenos homogêneos, pois, afinal de contas,
são eles mesmos que estudam as ciências duras. A moral não es-
capa tampouco a esses supostos, sendo uma moral naturalista,
aquela que acaba ensinando-se nas escolas” (Henry, 2014, p. 424).
Conclusão
No artigo Difícil Democracia, Henry questiona o funda-
mento da democracia moderna, critica sua união com a ciência
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