A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Página 160

Democracia e direitos humanos no espaço prisional Estamos convencidos da contribuição que a literatura pode oferecer à humanização de um sistema carcerário que reflete o funcionamento de uma sociedade caduca e excludente, que nega na prática os direitos humanos. Percebemos uma sensível melho- ra das relações humanas, demonstrada pela comunicação estabe- lecida entre os/as apenados/as e o grupo de trabalho do sistema penal, qualificando a compreensão que os presos/as têm a respei- to do seu cotidiano. O espaço da literatura não pode deixar de conter uma atividade dinâmica, garantindo o envolvimento dos participantes; esta dinamicidade pode ser alcançada através de diálogos democráticos, mesclando atividades lúdicas e manifes- tações artísticas, como elementos políticos fundamentais. O perverso sistema carcerário é uma denúncia ética que põe a problemática da falta de compromisso do Estado políti- ca de encarceramento. O caminho para sair dessa crise é uma autorreflexão do projeto moderno de emancipação sobre os fun- damentos do Estado democrático de direito. Somente tomando com radicalidade a raiz dessa problemática que fundamentou e estruturou a filosofia política moderna, como prática social é que poderemos recuperar a política e a força intelectual da filosofia moderna, naquilo que diz respeito à democracia e aos direitos humanos para “reinventar” democracia, a política, o direito e a práxis libertadora no sistema carcerário. Referências Bibliográficas ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. Anti-Semitismo Imperialismo Totalitarismo. Trad. Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. BENETI, Sidnei Agostinho. Execução Penal. São Paulo: Saraiva, 1996. BOBBIO, Noberto. O Futuro da Democracia numa defesa das regras do jogo. 3. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1986. 159 de 244