A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 158

Democracia e direitos humanos no espaço prisional amostra para se pensar uma nova sociabilidade dos/as apenados/ as é a experiência da realização de oficinas de literaturas consti- tuídas há alguns anos e desenvolvidas pela Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo (CDHPF), incrementada desde 2011 através da pesquisa sobre a temática: Religiosidade e Direitos Hu- manos. Através do projeto: Sistema de Justiça e Segurança, execu- tado pelo grupo “D´ir-Vir” (direito de ir e vir) da Especialização em Direitos Humanos e a educação da relações étnico-raciais que atuou mais de um ano no Presídio Regional de Passo Fundo, RS. Assim, a força argumentativa do exposto acima é dizer que os direitos, inclusive os direitos humanos, podem ser garanti- dos por uma legalidade positiva, mas não pode se reduzir a ela simplesmente. Os direitos funcionam como veículo para a pene- tração no mundo da vida pelo poder político enquanto meio de controle. Os direitos, enquanto instituições, contribuem para a modernização do Estado em relação à Sociedade Civil. A norma- tividade aqui é a proteção dos direitos humanos contra o agen- ciamento sistêmico da racionalidade instrumental dos regimes carcerários. Assim, os direitos desempenham um papel mais regulativo do que constitutivo. O que se entende por papel regu- lativo dos direitos? Em um fundo é assegurar uma Sociedade Civil autônoma, autoregulada e universal, assegurada pelo princípio de multipli- cidade e da universalidade dos direitos humanos. Portanto, os direitos universais devem ser vistos enquanto princípio organiza- tivo da Sociedade Civil, cuja dinâmica é a esfera pública. A Socie- dade Civil, a esfera pública e a política são as mediações constitu- tivas da sociabilidade, que se articula com o movimento político como defesa da Sociedade Civil contra o reificação das liberdades privadas e públicas. A crise sócio-econômico-política contemporânea gera um grau de insegurança muito alto, influenciando no aumento da violência social e, consequentemente, da população carcerária. Inserir-se no espaço do presídio significa questionar o lado per- verso da nossa sociedade, gerador da desigualdade e da falta de justiça social e econômica. A condição de estar preso priva o ser 157 de 244