tativa, como os partidos e o Congresso, e abriu espaço para a emergência de candidaturas reacionárias e parafascistas.
Por outro lado, pela sua experiência histórica, partidos como o PPS, o PV e o PSB não devem avalizar frentes políticas estreitas, restritas à esquerda e à extrema-esquerda, com um programa sectário que não expresse, nem de longe, o consenso das forças democráticas do país.
Tal proposta, ao contrário da intenção de seus formuladores, diminui o poder transformador dos socialistas, ao colocar a esquerda política num gueto, isolada da maioria da sociedade e das forças democráticas, favorecendo as forças conservadoras, ainda que inadvertidamente.
É impossível governar o Brasil baseado tão somente em setores de esquerda e de extrema-esquerda, minoritários na sociedade e no Congresso. Aferrados a preconceitos ideológicos, as propostas de tais grupos estão presas ao passado e são caminho certo para o desastre econômico, com as consequências negativas que vivemos hoje no Brasil e em outros países da América Latina. Em vez de unir, elas dividem os brasileiros.
Sem exclusão de nenhuma força política democrática e reformista, a centro-esquerda deve mais uma vez, a exemplo da eleição de 2014, propor a união de socialistas, socialdemocratas e liberaldemocratas em torno de um novo pacto político e social, com foco na transparência e fortalecimento da democracia representativa, no desenvolvimento sustentável e na promoção do bem-estar social.
A centro-esquerda deve superar a dicotomia estereotipada esquerda x direita. Ao mesmo tempo em que afirme sua responsabilidade social, em defesa de políticas que melhorem a qualidade dos serviços públicos em educação, saúde, transportes e moradia, deve mostrar seu compromisso com a responsabilidade fiscal e com um ambiente econômico necessário a um desenvolvimento autossustentado e ecologicamente saudável.
Aqui também deve evitar dois extremos. De um lado, rejeitar o Estado mínimo e o capitalismo sem regulamentação social em detrimento do interesse público. De outro lado, deve se distanciar de qualquer orientação populista irresponsável, que ponha em risco o equilíbrio das contas públicas, fundamental para uma retomada do crescimento em base sólidas.
Por cima de estreitezas ideológicas, é preciso unir cidadãos de diferentes e variados pensamentos para a tarefa comum de aperfei-
A centro-esquerda deve unir o Brasil
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