Gramsci recusou-se várias vezes a publicar coletâneas de seus textos jornalísticos. O primeiro a propor-lhe uma foi Giuseppe Prezzolini, em 1921, que havia combinado com Piero Gobetti na esperança de convencê-lo a dar sua concordância. Poucos anos depois quem tentou foi Franco Ciarlantini, proprietário da Ed. Alpes que em seguida publicará os discursos de Mussolini. Dois editores não comunistas, portanto. Gramsci não aceitou antes de mais nada porque sustentava que seus artigos“ eram escritos no dia a dia e deviam morrer no fim do dia”. E assim o primeiro editor de Gramsci foi Togliatti, que começou a republicar alguns textos já nos meses seguintes à sua detenção.
Uma afirmação que diverge da linha conspirativa em voga até algum tempo atrás: Togliatti contra Gramsci.
Não se pode facilmente contestar a contribuição do Togliatti editor. Foi Togliatti quem quis a publicação do famoso ensaio sobre a questão meridional, em 1930, quando Gramsci já era malquisto por Stalin. E não há dúvida de que a descoberta de Gramsci no pós-guerra se deveu à hábil direção de Togliatti, que quis primeiro publicar as Cartas e, em seguida, ao cabo de poucos anos, uma edição dos Cadernos em seis volumes. Trata-se de escritos que podiam restar nos arquivos familiares e de partido sabe-se lá quantos anos. Certamente, publicou-os segundo critérios que hoje não mais podem ser adotados, censurando Bordiga, Trotski e seus seguidores, com cortes mínimos, mas significativos.
De 18 a 20 de maio, no Instituto da Enciclopédia Italiana, os senhores realizarão um seminário internacional com muita participação.
Pretendemos documentar amplamente de que modo Gramsci é hoje estudado na Itália e no exterior. Não é mais preciso desmentir a ideia, estabelecida em anos anteriores, de que Gramsci é um autor mais estudado no estrangeiro do que em seu país. Apresentaremos as investigações dos últimos anos e os usos de algumas categorias histórico-políticas, a partir dos conceitos de hegemonia, revolução passiva e cosmopolitismo. Virão estudiosos de vários países europeus, da América Latina, dos Estados Unidos, da Ásia. Também convidamos o tradutor de Gramsci na China. Já publicou as Cartas e agora está traduzindo integralmente os Cadernos.
A propósito de hegemonia, deve-se dizer que o conceito provém de Lenin, que Gramsci encontrou em 1922. O que sabemos sobre um colóquio que pôs frente a frente estes dois grandes personagens?
O conceito de hegemonia parte dos escritos de Lenin, mas em Gramsci se vê desenvolvido de maneira muito mais rica. Gramsci
208 Francesco Giasi