sociais. A maioria fala em um tom saudoso. Não importa se nasceu depois de 1985.
Um mínimo de ponderação talvez fosse o suficiente para macular o remédio da intervenção. Basta lembrar que muitos dos políticos em atividade hoje, especialmente aqueles envolvidos em maracutaias de toda a sorte, são filhos da ditadura militar brasileira. Graças a uma indicação da ditadura, o onipresente Fernando Collor tornou-se prefeito de Maceió, em 1979, pela Arena, iniciando assim sua polêmica carreira política. Outros que também turbinaram as suas carreiras políticas durante a égide dos generais foram José Sarney e Paulo Maluf, só para ficar em três exemplos.
Ao longo da história do Brasil, os militares solaparam o poder por diversas vezes desde a proclamação da República, em 1889. Apesar disso, fala-se na volta dos militares como um remédio de ruptura, como se os generais, ao tomarem o poder mais uma vez, fossem trazer consigo a salvação que foram incapazes de promover das vezes anteriores.
Apenas para se ter uma ideia: em 1985, quando os militares“ devolveram” o poder pela última vez, o Índice Geral de Preços, calculado pela Fundação Getulio Vargas, estava na casa dos 242,68 pontos. Bem mais que o dobro do índice constatado em 1964, ano em que os militares tomaram o poder, quando a inflação ficou em 92,12. A dívida externa, por sua vez, saltou de 3,4 bilhões de dólares, em 1964, para 91 bilhões de dólares, em 1984. 2
A despeito da história, os entusiastas pró-intervenção já“ elegeram”, inclusive, um baluarte. Trata-se do deputado federal pelo Rio de Janeiro Jair Bolsonaro, o qual já vem sendo chamado de“ o profeta do grafeno e do nióbio”. Este ardoroso fã da ditadura militar e de sua fileira de torturadores está em plena campanha para presidente da República. Os eleitores de Bolsonaro não escondem o afã messiânico que nutrem pelo político. Chamam-no de mito e difundem memes pelas redes sociais em que o deputado, militar reformado, aparece portando um fuzil sobre tanque de guerra, como um Rambo Tupiniquim pronto para despachar comunistas e oposicionistas em geral.
A degradação da democracia partidária, permeada por casos de corrupção em um contexto de crise, pode ser apontada como
2 Disponível em: http:// infograficos. oglobo. globo. com / economia / entenda-osnumeros-da-economia-no-regime-militar. html.
3 Disponível em: http:// zh. clicrbs. com. br / rs / noticias / politica / noticia / 2017 / 05 / bolsonaro-negocia-ida-ao-partido-muda-brasil-para-eleicoes-de-2018-diz-jornal.
166 Tiago Eloy Zaidan