A crise não parece ter fim PD48 | страница 149

A visão dos economistas clássicos sobre os recursos naturais O pensamento econômico clássico, e nele se costuma inserir Adam Smith, David Ricardo, Thomas Malthus e Stuart Mill, sempre esteve impregnado da filosofia moral e da ética social, sendo o resultado econômico, o lucro, bem-vindo desde que não ferisse princípios essenciais. Todos os pensadores clássicos leram as obras dos fisiocratas que os precederam, mas não foram além no ver na natureza, na terra, a origem da produtividade, mediante valor adicionado pela fertilidade dos solos aos bens neles produ- zidos. Os fisiocratas viam a terra como a mãe que gerava a abun- dância e o excedente na produção agrícola e, nesta avaliação, entendiam que todos deviam se beneficiar dos produtos da terra, que deveria ser preservada. A herança de Petty, Cantillon, Ques- nay e Mirabeau, foi absorvida pelos economistas clássicos que adicionaram na equação da produção o capital, ao lado da terra e do trabalho, como fonte de riqueza. Os clássicos foram mais longe vendo o valor dos bens relacionados diretamente com a quanti- dade de trabalho alocado na produção. Há indícios de que os clássicos se preocupavam com a natu- reza, mas a preocupação não ia além de preceituar cuidados com a fertilidade do solo e com os cursos d’água. No celebre debate entre David Ricardo e Thomas Malthus, eles concordavam em que poderia haver fome no mundo caso o crescimento da produção de alimentos (progressão aritmética), não acompanhasse o cresci- mento da população (progressão geométrica). Entretanto, discor- davam em como manter a fertilidade da terra. Para Ricardo seria limitando a renda da terra apropriada pelos latifundiários, a qual era um estimulo permanente a não cuidar da fertilidade. Malthus, de sua parte, via o direito à apropriação da renda pelo proprietá- rio da terra, como sagrado. O pensamento marxista sobre a relação entre a acumulação capitalista e a natureza: a ‘falha metabólica’ Muito se tem falado que Marx não teve maior preocupação com a proteção da natureza. Estas afirmações, segundo Foster (2005), são infundadas. Para o autor, o envolvimento de Marx com a ecologia teria sido equivalente à de Darwin, ambos influencia- dos pelo materialismo de Epicuro. As leituras que Marx fez de Epicuro, nas quais via também a influência do grego nos escritos de Francis Bacon e de Immanuel Kant, ajudaram-no muito na sua tese de doutorado. A biocivilização na passagem da era industrial para a pós-industrial 147