A visão dos economistas clássicos sobre os recursos naturais
O pensamento econômico clássico, e nele se costuma inserir
Adam Smith, David Ricardo, Thomas Malthus e Stuart Mill,
sempre esteve impregnado da filosofia moral e da ética social,
sendo o resultado econômico, o lucro, bem-vindo desde que não
ferisse princípios essenciais. Todos os pensadores clássicos leram
as obras dos fisiocratas que os precederam, mas não foram além
no ver na natureza, na terra, a origem da produtividade, mediante
valor adicionado pela fertilidade dos solos aos bens neles produ-
zidos. Os fisiocratas viam a terra como a mãe que gerava a abun-
dância e o excedente na produção agrícola e, nesta avaliação,
entendiam que todos deviam se beneficiar dos produtos da terra,
que deveria ser preservada. A herança de Petty, Cantillon, Ques-
nay e Mirabeau, foi absorvida pelos economistas clássicos que
adicionaram na equação da produção o capital, ao lado da terra e
do trabalho, como fonte de riqueza. Os clássicos foram mais longe
vendo o valor dos bens relacionados diretamente com a quanti-
dade de trabalho alocado na produção.
Há indícios de que os clássicos se preocupavam com a natu-
reza, mas a preocupação não ia além de preceituar cuidados com
a fertilidade do solo e com os cursos d’água. No celebre debate
entre David Ricardo e Thomas Malthus, eles concordavam em que
poderia haver fome no mundo caso o crescimento da produção de
alimentos (progressão aritmética), não acompanhasse o cresci-
mento da população (progressão geométrica). Entretanto, discor-
davam em como manter a fertilidade da terra. Para Ricardo seria
limitando a renda da terra apropriada pelos latifundiários, a qual
era um estimulo permanente a não cuidar da fertilidade. Malthus,
de sua parte, via o direito à apropriação da renda pelo proprietá-
rio da terra, como sagrado.
O pensamento marxista sobre a relação entre a acumulação
capitalista e a natureza: a ‘falha metabólica’
Muito se tem falado que Marx não teve maior preocupação
com a proteção da natureza. Estas afirmações, segundo Foster
(2005), são infundadas. Para o autor, o envolvimento de Marx com
a ecologia teria sido equivalente à de Darwin, ambos influencia-
dos pelo materialismo de Epicuro. As leituras que Marx fez de
Epicuro, nas quais via também a influência do grego nos escritos
de Francis Bacon e de Immanuel Kant, ajudaram-no muito na
sua tese de doutorado.
A biocivilização na passagem da era industrial para a pós-industrial
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