A crise não parece ter fim PD48 | Seite 132

como guia mundial, algo muito distante do prometido sobre os escombros do Muro de Berlim. O que representa, no caso, a vitória do presidente Donald Trump, diante desse brevíssimo cenário, no instante em que as teses de seu poderoso grupo – preconceituoso e racista – passa- ram a dirigir a maior potência militarista do planeta? As perspec- tivas de diálogo não parecem animadoras à própria sociedade norte-americana, pelo que se sente, inclusive, para uma camada de afiliados e simpatizantes do Partido Republicano. Seis meses depois da vitória, 36% da população é quem o apoia, embora não devamos nos animar, pelo fato de que a mesma pesquisa revela que 88% desses eleitores repetiriam o voto – 0,8% entre os negros. Entenda-se – em linhas gerais – que essa massa de eleitores, em uma nação que se diz democrática, e apesar de renovada por outra geração, é a mesma que continua a defender a Ku-Klux -Klan, por exemplo, as torturas (a preferida do sr. Donald Trump é o afogamento segurando-se o terrorista pelos cabelos suas pala- vras, na mesma linha do seu colega George Bush). Não se conhece comentário algum, da imprensa livre, condenando estas coisas, embora se repita todos os dias que Washington sempre defendeu os direitos humanos. É curioso, aliás, que o presidente repita, desde o primeiro dia no cargo, que o inimigo número 1 da sua sociedade é a imprensa (apesar de ela dar guarida a qualquer notícia contra o terrorismo), talvez esquecido de que foram os seus antecessores que ajudaram a criar esquemas – entregues à coordenação do saudita Bin Laden, a quem Washington jamais deixou de fornecer todo tipo de asses- soria. Fatos assim tiveram desdobramentos diplomáticos e estra- tégicos, cujas consequências passaram a estourar, de uma vez por todas, na gestão de Trump. Mas, criou-se de repente, nesses seis meses, uma espécie de pânico, entre os aliados surpreendidos e a própria nação norte -americana: uma perigosa desconfiança de que ele não está à altura do cargo, até porque prefere comunicar-se por um blog, a fim de não ser contestado de frente. Fervem os bastidores inter- nacionais, diante dos atos e gestos individualistas do presidente, transformados pouco a pouco em galhofa. O seu discurso de ‘advertência’ a Cuba, por exemplo, feito de propósito em Miami, levou a Ilha, o Caribe e o restante da América Latina a garga- lhar, sim, mas, ao mesmo tempo, temer que o fato de que o que dá para rir, dá para chorar. O problema é que Havana jamais 130 Danúbio Rodrigues