Real, estratégia usada por dom João VI para agradar os líderes da Revolução do Porto que reivindicavam seu retorno a Portugal, pois os mesmos também defendiam alguns dos princípios republicanos, ela e sua família regressaram ao Crato, quando então se envolveu na luta pela independência, que mesmo não sinalizando nenhuma ruptura com o processo de nossa história colonial, pois os privilégios aristocráticos se mantinham inalterados, ela percebeu a oportunidade de continuar afugentando a Família Real e denunciar as inconsequências da monarquia. Alguns de seus impostos eram intoleráveis, como a taxa de iluminação pública paga em todo o território brasileiro, que deixava as ruas do Rio de Janeiro iluminadas, enquanto as de outras capitanias ficavam totalmente às escuras.
A Confederação do Equador
Em 1824, ocorreu a Confederação do Equador em Recife, fruto da dissolução da Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Brasil, em 12 de novembro de 1823. O filho caçula de dona Bárbara, José Martiniano, que fora um dos constituintes e retornara do Rio de Janeiro via Pernambuco com o intuito de se submeter às provas finais no Seminário Nossa Senhora da Graça, de Olinda, e se ordenar padre, foi encarregado de organizar os republicanos cearenses e promover essa revolução no Ceará, como assim também fizera em 1817.
A presença da mãe dos Alencar foi discreta, apenas participando de algumas reuniões em sua casa no Sítio Pau Seco. Seus filhos Carlos José dos Santos, José Martiniano e Tristão Gonçalves, este último eleito presidente da Confederação do Equador no Ceará, se entregaram, sem precedentes, a esse propósito. Dos três, o único sobrevivente foi José Martiniano, sendo escoltado preso para o Rio de janeiro, ficando Bárbara de Alencar a viver mais um suplício por jamais saber se os dois filhos mortos pelos monarquistas ganharam sepultura.
Em 28 de agosto de 1832, aos 72 anos, Bárbara de Alencar nos deixou. Diz a lenda que uma estrela brilhou no céu...
É esta travessia que eu conto no livro Histórias para acordar cada acontecimento – Relato sobre Bárbara de Alencar, avó do romancista José de Alencar, uma sertaneja vibrante e inflexível que ajudou a mudar a história do Brasil.
Breve relato de uma sertaneja vibrante
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