negros nas Américas. E, segundo Herbert S. Klein (professor da
Universidade de Columbia, Nova York, NY), entre 1701 e 1810,
período em que se efetiva quase metade do total de entradas de
africanos no país, cerca de 68% teriam vindo de Angola e 32% da
Costa da Mina.
No começo do século XIX, a Grã-Bretanha começou a forçar
Portugal a inibir o tráfico, o qual, entretanto, transcorreu num
clima de relativa ilegalidade até 1830, quando, aí sim, tornou-se
absolutamente ilícito. Mas as importações de cativos africanos
continuavam, agora sob a forma de contrabando, até que em 1851
a Grã-Bretanha finalmente obrigou o Brasil a respeitar as leis e
tratados internacionais que impunham o fim dessas importações.
E de tal forma que, quando da Abolição, em 1888, já eram muito
poucos os africanos escravizados no Brasil.
A extinção do tráfico atlântico, porém, tinha feito surgir o tráfico
interno. E aí, em pouco mais de 30 anos, cerca de 300 mil indiví-
duos foram transferidos das regiões mais pobres do país para as
mais prósperas, principalmente para as plantações de café do
Centro-Sul. Todavia, como acentua R.E. Conrad (em Tumbeiros: o
trafico escravista para o Brasil, 1985), o tráfico interno, ironica-
mente, ajudou a precipitar o fim da escravidão, pois as províncias
empobrecidas, à medida que perdiam seus escravos iam se voltando
para o trabalho livre, como foi o caso do Ceará e outras províncias
nordestinas, que aboliram a escravidão antes de 1888, mais por
falta de objeto do que por supostas ações humanitárias.
Uma ameaça para as classes dominantes
No Brasil, assim como em todas as Américas, as raízes negras
da população sempre se constituíram em potencial ameaça para
as classes dominantes. Antes, eram os senhores temendo aqui-
lombamentos e insurreições, principalmente após a Revolução
Haitiana. Depois, foi o pesadelo da perda do status e dos privilé-
gios senhoriais.
Para fazer face a esse perigo iminente, as classes dominantes
estruturaram e puseram em prática toda uma estratégia racista,
a partir do pressuposto de que a miscigenação da população
brasileira iria fatalmente levá-la a um desejado “embranqueci-
mento”. Essa estratégia, difundida pela propaganda oficial, teve
como seu ponto principal o favorecimento à imigração europeia e
a restrição à entrada no país de africanos e, até um certo momento,
Brasil, a real identidade do “país dos imigrantes”
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