A crise não parece ter fim PD48 | Seite 110

Mas não só aos órgãos públicos, como a ANA, está o modelo da economia das águas. Ela é tarefa de todos nós usuários, procu- rando não gastar mais do que o necessário. É assim que vale a teoria aqui relatada. Cada gota economizada será um trunfo maior, quando chegarmos no futuro com uma profética escassez, como esta que os técnicos e especialistas vêm apregoando. Lembramos, aqui, que a “água é o ouro do século XXI”, segundo o eminente dr. Bernardo Cabral. Somemos forças com ele. Um outro problema mais Quanto vale uma caneca de água? E o que valeria um litro, um barril, um caminhão-pipa? É esta a pergunta que se faz, quando se sabe que, dentro de pouco tempo, haverá um preço para a utilização da água, tanto do domínio da União, como do domínio dos estados. Mas qual a razão de, agora, aparecer esta cobrança, sendo que é um bem natural, disposto à utilização de todos? E até dizem os mais estudiosos que é Direito Difuso e, assim sendo, ninguém é obrigado a pagar pelo seu uso. Isto realmente seria legítimo se as coisas não fossem diferen- tes do que aparentam sê-lo, se apanharmos as estatísticas e comprovadamente verificarmos que estamos às vésperas de uma iminente escassez. A água, no mundo, dentro de aproximada- mente 50 anos, irá faltar em grande escala, se as medidas de agora não forem tomadas com urgência. Uma dessas medidas, louvável em todo sentido, é a cobrança da água, por meio da chamada “outorga”, que nada mais é que a concessão para a sua utilização. Isto representa um grande passo para deter o ímpeto do homem em esbanjar um líquido tão precioso. Mas esta outorga não é um sentido punitivo que pode parecer ao primeiro lance. Em absoluto. Ela tem a sua consagração na certeza de que a arrecadação será em benefício da própria comu- nidade, ou melhor, de suas próprias bacias hidrográficas, como ficou caracterizado na Lei nº 9.433/97, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos: “...assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos”. O problema crucial que se verifica no mundo atual é o desper- dício e a degradação dos corpos de águas. É notória esta afirma- 108 José Roberto Guedes de Oliveira