A Capitolina 11, novembro 2014 | Page 5

poesia

Bruno Pavão de Oliveira

Cala te

Nao sussurres mais ao vento

Nao derrames um suspiro falso e inaudível

Olhe para o céu

O que vês?

Pára-quedas de seda prateada

Espirais douradas pairando sobre a brisa

Olha para a terra

O que vês ?

Rosas de veludo azul

Campos mudos de lírios cinzentos

Tão logo chegará o alento , adocicado

E a ruína , amarga e áspera

Como um adeus profanado

Cala te

Rasga a janela sem trancas

Derruba os muros da tua cegueira

Abre-te e então

Olhe para o mar

O que vês?

Três luas postas no horizonte

A areia turquesa na sua eterna inquietação

Uma ponte sem começo

Uma história sem fim.