poesia
Bruno Pavão de Oliveira
Cala te
Nao sussurres mais ao vento
Nao derrames um suspiro falso e inaudível
Olhe para o céu
O que vês?
Pára-quedas de seda prateada
Espirais douradas pairando sobre a brisa
Olha para a terra
O que vês ?
Rosas de veludo azul
Campos mudos de lírios cinzentos
Tão logo chegará o alento , adocicado
E a ruína , amarga e áspera
Como um adeus profanado
Cala te
Rasga a janela sem trancas
Derruba os muros da tua cegueira
Abre-te e então
Olhe para o mar
O que vês?
Três luas postas no horizonte
A areia turquesa na sua eterna inquietação
Uma ponte sem começo
Uma história sem fim.