100 anos da Revolução Russa PD_ESPECIAL | Page 99

Truman comentou com Stálin que os EUA estavam de posse de uma nova arma, com " inusitado poder destrutivo ". Como bom jogador, o líder soviético agradeceu a informação e desejou que os americanos usassem o novo artefato com " sucesso contra o Japão ". Um mês depois, as primeiras bombas atômicas foram lançadas em Hiroshima e Nagasaki.
A decisão de lançar as bombas sobre o Japão não teve como objetivo apenas abreviar o desfecho da Segunda Guerra. Era o começo de um novo tipo de tensão mundial: a Europa seria dividida em duas zonas de influência: a Ocidental, capitalista, sob atração dos EUA, e a Oriental, comunista, ajudada pela URSS. A fronteira entre " as duas Europas " seria a própria Alemanha, também dividida. O que realmente estava em jogo era a hegemonia mundial. Os EUA adotaram uma estratégia de domínio indireto; o intervencionismo militar da URSS, ao contrário do que aparentava, porém, seria muito mais frágil.
A debacle do socialismo real
Os comunistas chegaram ao poder na Polônia, Hungria, Bulgária, Romênia, Tchecoslováquia e Alemanha Oriental com o apoio dos tanques soviéticos, diante de uma economia em frangalhos e elites locais que, na maioria dos casos, havia colaborado com o nazismo. O preço a ser pago pela igualdade econômica era a perda da liberdade política. Foi assim na Hungria, em 1956, e na Tchecoslováquia, em 1968 – a famosa Primavera de Praga. A antiga Iugoslávia e a China eram casos à parte.
Na Europa Ocidental, Berlim Ocidental era uma vitrine reluzente, uma ilha capitalista encravada na República Democrática Alemã. Quando percebeu que a tal " vitrine " exercia uma enorme atração sobre os berlinenses, que preferiam trabalhar no lado ocidental da cidade, a administração do setor oriental viu-se obrigada a erguer, em 1961, o Muro de Berlim.
Como se sabe, entre a década de 1930 e o início da década de 1960, a consolidação da URSS como potência industrial foi feita com base num " crescimento extensivo ", com muita mão de obra barata e abundância de recursos naturais. Na década de 1970, no Ocidente, fábricas projetadas para produzir em série determinados produtos passaram a ser substituídas por plantas industriais automatizadas e muito mais flexíveis, capazes de se adaptar às variações de demanda no mercado consumidor.
Eles eram justos e puros
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