A NEP foi, em essência, a parte econômica do programa menchevique de 1919, cujo conceito era de um capitalismo de Estado, como via intermediária para o socialismo, há tempos defendido pela II Internacional. A NEP sofreu forte oposição da esquerda bolchevique, encabeçada por Leon Trotski e pelo economista Ievguêni Preobrajenski. Mas a NEP conseguiu tirar o país da crise e garantiu sustentação política ao governo soviético, ao permitir que os camponeses negociassem metade de sua produção no livre mercado, e, assim, diminuísse o descontentamento no campo.
Após a morte de Lenin, em 1924, Bukharin se tornou o principal defensor da NEP. Ele se opôs ao seu abandono por Josef Stalin, em 1928, ao promover a industrialização acelerada e a coletivização forçada das terras, levando o país a outra guerra civil. Bukharin foi fuzilado em 1938 e reabilitado 50 anos depois, em 1988, pelo último líder soviético, Mikhail Gorbachev. Aliás, a tentativa de tirar a economia soviética da estagnação, na segunda metade dos anos 1980, a chamada perestroika( reestruturação), teve inspiração na NEP. Como também as reformas econômicas empreendidas por Deng Xiaoping, as quais tornaram a China uma potência mundial. Em 1978, a China ainda era um país agrário, como a velha Rússia, e não por acaso as reformas começaram na agricultura, setor em que trabalhavam 90 % da população. Deng Xiaoping acabou com a coletivização das terras e introduziu a propriedade familiar, com apenas uma parte da produção vendida obrigatoriamente ao Estado. 5
Em 1921, os mencheviques foram favoráveis às reivindicações dos marinheiros de Kronstadt, mas não apoiaram a revolta. Todavia, os bolcheviques nunca foram dados a sutilezas. Acusado de antissovietismo, o POSDR foi então definitivamente banido da vida pública, seus líderes foram presos e vários deles fuzilados na década de 1930. Experiências de economias mistas, semelhantes à proposta pelos mencheviques, foram colocadas em prática na Suécia, nos anos 1930, e na Europa ocidental do pós-guerra. Segundo o historiador britânico Tony Judt, a combinação dos setores público e privado foi um dos fatores determinantes para o êxito da reconstrução europeia no ocidente. 6
5 ZEIDAN, Rodrigo. Paradoxos da China: lições das reformas microeconômicas. Folha de S. Paulo. 23 / 08 / 2017. Disponível em: http:// temas. folha. uol. com. br / paradoxos-da-china / analise / licoes-das-reformas-microeconomicas. shtml # s01e05.
6 JUDT, Tony. Pós-Guerra: uma história da Europa desde 1945. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.
O plano menchevique e a NEP de Lenin
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