100 anos da Revolução Russa PD_ESPECIAL | Page 59

Proletários de todo o mundo, perdoem-nos! Hubert Alquéres 1 A Revolução Bolchevique, de novembro de 1917, pelo calen- dário gregoriano, e de outubro, pelo calendário juliano, foi a mola propulsora da grande utopia do século 20: o comu- nismo. Para o bem e para o mal – e mais para o mal – marcou a vida e a morte, sonhos e pesadelos, como diz o historiador italiano Silvio Pons. E foi, ao mesmo tempo, “realidade e mitologia, ideo- logia progressista e dominação imperial, utopia libertadora e sistema concentracionário”. A bipolaridade também caracterizou os descendentes de Vladi- mir Ilyich Lenin que se espraiaram pelo mundo. Os comunistas foram vítimas de regimes ditatoriais e artífices de Estados poli- ciais, protagonistas de lutas sociais e libertárias e fundadores de regimes totalitários e liberticidas, na genial definição de Pons em seu livro A Revolução Global. Sim, os comunistas estiveram na primeira trincheira das lutas pela jornada das oito horas, pelo direito de greve, pelos direitos da mulher no trabalho e ao voto, no enfrentamento do fascismo e do nazismo, entre tantas e tantas batalhas. O surgi- mento do primeiro país socialista incidiu sobre as sociedades capitalistas no sentido de consagrar em seu arcabouço conquis- tas sociais que perduram até hoje. 1 Professor e membro do Conselho Estadual de Educação (SP), lecionou na Escola Politécnica da USP e no Colégio Bandeirantes e foi secretário-adjunto de Edu- cação do Governo do Estado de São Paulo 57