Revolução dependia da classe operária, a qual foi estimada por ele em 2 milhões e 500 mil pessoas, em seu livro A Revolução Russa.
Como diz José Paulo Netto, no texto“ O que é stalinismo”, a classe operária praticamente se reduziu a nada, no período da guerra civil, de 1918 a 1919, e depois nos esforços de levar a Revolução ao Ocidente, através da Hungria( Bela Kun) e através da Polônia, via Guerra Russo-Polonesa, em 1920, dentro daquele desembarque citado por Gruppi.
No âmbito da construção da URSS, em 1922, Lenin quis manter o espírito internacionalista associando a Rússia a outras repúblicas, em termos de igualdade, pensando assim em ferir de morte o chauvinismo grão-russo. Para isto e como sua base social, estabeleceu uma aliança operário-camponesa, que já não correspondia muito bem à realidade social.
Como efeito desta destruição da classe fundamental da“ revolução proletária” e também pela constatação da não adesão clara do campesinato, desde 1918 até 1929( e além), os líderes bolcheviques foram aconselhados por outros partidos comunistas da Europa Ocidental a fazer uma transição, uma vez que a sua base social não existia. Isaac Deutscher em seu O profeta armado, sobre a participação de Trotsky na Revolução, cita uma das primeiras destas sugestões.
Bordiga, em uma carta, se referiu à proposta dos comunistas austríacos. Numa carta ao austro-marxista Korsch, ele diz:
E depois:
Por exemplo, o seu " modo de se exprimir " sobre a Rússia parece-me incorreto. Não se pode dizer que " a revolução russa é uma revolução burguesa ". A Revolução de 17 foi uma revolução proletária, se bem que seja um erro generalizar suas lições " táticas ". Agora, coloca-se o problema: que acontecerá com a ditadura do proletariado num país se não houver a sequência da revolução nos outros países? Pode acontecer uma intervenção externa, pode acontecer uma continuidade degenerada cujos sintomas e reflexos dentro dos partidos comunistas precisamos descobrir e definir.
Não se pode dizer simplesmente que a Rússia é um país onde se expande o capitalismo. A coisa é muito mais complexa: trata-se de novas formas da luta de classes que não têm precedentes históricos; trata-se de demonstrar como qualquer concepção das relações com a classe média, sustentada pelos
34 Ernesto Caxeiro