aplacar o descontentamento generalizado existente em todo o país. Uma das medidas propostas foi uma Constituição moderna para a Rússia, até então regida por leis tradicionais que garantiam o poder absoluto dos czares. Tal proposta foi rechaçada pelo imperador.
Outra sugestão de reformistas próximos ao czar, como Sergei Witte, foi a criação de um órgão legislativo eleito democraticamente que servisse como instituição representativa das classes e grupos sociais da Rússia. Esse parlamento – a Duma – foi finalmente constituído em 1906, mas com uma série de limites às suas funções. Se Nicolau II teve de conceder e criar a Duma com certo poder legislativo( sua ideia era constituir um órgão com funções apenas consultivas), por outro lado ele garantiu que as classes proprietárias tivessem maior peso no colegiado, além de impedir que o parlamento escolhesse os ministros – que continuaram a ser indicados pelo czar. Além disso, o imperador tinha o poder de dissolver a Duma a seu critério, sempre quando os deputados mostrassem excessiva independência, como foi feito com as duas primeiras legislaturas.
Da mesma forma, tentativas de reforma agrária, como a elaborada por Piotr Stolypin, importante membro do governo czarista nos anos que se seguiram à revolução fracassada de 1905, não lograram êxito. Seu plano de formar uma grande classe de pequenos proprietários rurais que pudesse aplacar a instabilidade na Rússia rural nunca recebeu apoio do czar, da nobreza ou da burocracia conservadora. Para qualquer área que se olhasse na Rússia, seja a política, a social ou a cultural, a necessidade de reformas que acompanhassem a acelerada modernização do país saltava aos olhos.
Foi este gap entre uma ocidentalização parcial, voltada para fins estritamente geopolíticos, e a falta de reformas políticas significativas, a verdadeira fonte da instabilidade política na Rússia, do início do século passado. Instabilidade esta que se expressava em revoltas e greves sempre que uma derrota militar revelava os pés de barro em que se assentava o império russo.
Esta realidade, aliás, não era desconhecida à época por liberais, conservadores ou radicais. Para alguns, a saída preferida seria uma monarquia constitucional, aos moldes da Grã-Bretanha. Outros tendiam para uma república liberal. Os diferentes grupos marxistas, por outro lado, propunham saídas mais radicais, como uma república democrática que servisse de transição para uma revolução socialista. Quase todos admitiam a necessidade de uma
128 Paulo César Nascimento