inimigo de todas as formas. O inimigo era“ imenso, indefinido e universal, nascido não da observação da realidade, mas dos medos obsessivos dos políticos que faziam ver o comunismo atrás de qualquer greve ou protesto coletivo”. 28
Fontana cita a guerra fria para mostrar como a grande questão era combater as ideias anticapitalistas:
O objetivo não era defender a democracia, mas a livre empresa. Mossadeq não foi derrubado no Irã porque colocava em perigo a democracia, mas porque convinha às companhias de petróleo; Lumumba não foi assassinado por defender a liberdade dos congoleses, mas as companhias que exploravam as minas de urânio de Katanga, de onde havia saído o mineral com que se elaborou a bomba de Hiroshima [...] não se foi ao Viet Nam defender a democracia porque o que havia no Sul era uma ditadura militar. 29
Concluindo
Não houve revolução no mundo. A guerra civil havia deixado o país arruinado e o comunismo de guerra, com as requisições no campo, deixava os camponeses revoltados. Nas cidades, o povo estava faminto e eram muitas as reivindicações, o que acabou por provocar o levante dos marinheiros de Kronstadt. A situação interna era desesperadora e o inimigo externo aguardava qualquer oportunidade para intervir em ajuda aos brancos. Também não foi possível sair da guerra sem perdas importantes.
Com a assinatura do tratado de Brest-Litovski, os social revolucionários de esquerda se retiraram do governo, do qual os outros social revolucionários e os mencheviques já tinham saído.“ Nenhum destes pensou que, diante do regime nascido de outubro, pudesse se abrir um futuro de esperanças”. 30 E não só isso, começaram a atuar contra os bolcheviques. O próprio Lenin sofreu um atentado por parte da revolucionária anarquista Fany Kaplan, que considerou a assinatura do tratado uma traição à revolução.
A Nova Política Econômica, NEP, foi estabelecida depois da morte de 5 milhões de pessoas, no inverno de 1921-22. Acabava-
28 FONTANA, Josep. A revolução Russa e nós. História e luta de classes. N. 23, março / 2017, p. 87. 29 Idem, p. 89. 30 BROUÉ, P., op. cit., p. 103.
122 Marly de A. G. Vianna