suspendessem os preparativos da revolução até que o congresso dos sovietes fosse ouvido. Kamenev, que também era contrário à insurreição, renunciou ao comitê central( o que não foi aceito) e tanto ele quanto Zinoviev tornaram públicas suas opiniões.
A 22 de outubro, a tripulação bolchevique do cruzador Aurora recebeu ordens para manter o navio atracado, o que contradizia as ordens do governo de levantar âncoras. No dia seguinte, 23, foram enviados delegados a todas as unidades militares, cujos representantes divulgaram documento em que afirmavam não reconhecer a autoridade do governo provisório. 17“ Na verdade, os defensores da insurreição representavam a energia e a coragem indômita da revolução, enquanto seus adversários manifestavam as dúvidas que a revolução tinha de si mesma”. 18
No dia 24, véspera da insurreição, houve distribuição de armas nos quartéis a todos os destacamentos operários e, à tarde, os marinheiros de Kronstadt chegam a Petrogrado. Do Smolni, sede do Sóviet de Petrogrado, partiram destacamentos para ocupar pontos estratégicos da cidade. Apesar de suas posições, Kamenev e Zinoviev participaram dos acontecimentos ativamente.
Na madrugada do dia 25 de outubro, foi tomado o Palácio de Inverno e caiu o governo provisório sem qualquer reação ou derramamento de sangue. O governo fugiu, deixando um batalhão de mulheres a guardar o palácio.
O II Congresso dos Sovietes de Operários e Soldados e Marinheiros de toda a Rússia realizou-se no mesmo dia, 25 de outubro( 7 de novembro). Quando chegaram as notícias da tomada do Palácio de Inverno e de que as tropas enviadas por Kerenski para combater os revolucionários se passaram para a insurreição, uma minoria menchevique e a ala direita dos socialrevolucionários abandonou a sala. Mas o Congresso, em sua imensa maioria, apoiou a insurreição e votou seus primeiros decretos sobre paz, pão e terra, e elegeu os comissários do povo: foram 15 bolcheviques, quatro deles operários. Elegeu também um Comitê Executivo com 71 bolcheviques e 29 social revolucionários de esquerda, em 15 horas seguidas de debate. 19
17 Idem, p. 97. 18 DEUTSCHER, Isaac. Trotski, O profeta armado. Tradução de Waltensir Dutra.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968, p. 315- 316. 19 BROUÉ, P., op. cit., p. 98.
1917-2017 – Cem anos que abalaram o mundo
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