100 anos da Revolução Russa PD_ESPECIAL | Page 111
A Rússia era governada a ferro e fogo. A situação da classe
operária era de miséria e nenhum direito. Além do mais, a reli-
giosidade retrógrada dos tzares propiciou a influência do místico
charlatão Grigori Rasputin (1869-1916), que chegou a demitir e a
nomear ministros. Havia também uma política de russificação e
um antissemitismo brutal, que por qualquer motivo promovia
progroons. Na Páscoa de 1903, por exemplo, houve um deles, na
capital da Bessarábia, Kichiniev e aprovando-o, disse Nicolau:
“Foram baionetas e não diplomatas que fizeram a Rússia, e os
problemas do Oriente Médio devem ser resolvidos a baionetas e
não com canetas”. 4
A Revolução de 1905
O domingo sangrento – 9 de janeiro de 1905 – ocorreu quando
centenas de trabalhadores endomingados dirigiam pacificamente
uma petição ao tzar e foram brutalmente reprimidos, o que provo-
cou o primeiro grande abalo à dinastia Romanov. Operários,
camponeses e trabalhadores pobres se rebelaram e durante mais
de um ano, por toda a Rússia, protestaram de armas nas mãos
contra o tzarismo. Apesar da derrota e da brutal repressão que se
seguiu, foi um grande aprendizado político para o povo. Da revolta
surgiu a inovadora forma de organização política que foram os
sovietes, forma de organização e de governo adotada mais tarde
pela revolução de 1917.
Apesar de resistir a mudanças, Nicolau acabou por assinar,
em agosto de 1905, a concessão de direitos políticos a todos e
um parlamento, a Duma [parlamento russo], que seria eleita por
sufrágio quase universal. As concessões duraram pouco e a
repressão foi violenta. Com a aprovação do imperador, os rebel-
des foram dizimados. O tzar aconselhava a um subordinado em
Kiev: “Faça com que os revoltosos sejam aniquilados e suas
casas incendiadas”. Houve mais de 15 mil mortos e 45 mil depor-
tados. 5 Progroons mataram mais de 80 judeus, em Odessa, e
três mil, de Vilna a Kicheniev. Criou-se a União do Povo Russo,
que tinha como divisa “Tzar, fé e pátria”, uma ala direitista das
milícias Centúrias Negras, nacionalistas brutais que perse-
Denise Bottmann, Donaldson M.Garschagen, Renata Guerra e Rogério W.
Galindo. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 627.
4 Ide