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As Intermitências : Último ganhador do Nobel de literatura da língua portuguesa, Saramago fez história. O pensador e escritor lusitano distribuía críticas ácidas e muito significativas por toda sua obra, criando, assim, vários romances indispensáveis a qualquer leitor amante de histórias inteligentes e desafiadoras. Saramago foi um ícone, uma referência, um mestre da literatura.

Em As intermitências da morte, obra de José Saramago publicada em 2005, relata-se uma fábula paródica, irônica e alegórica, cuja personagem central é a própria morte, ou melhor, a “pequena morte cotidiana” das pessoas de um país não nomeado. Tal relato se inicia com estas palavras: “No dia seguinte ninguém morreu”. Então, a partir de 1º de janeiro de um ano qualquer, não se morre mais naquele país. Assim, para discutir essa obra, propõe-se desenvolver neste artigo algo que ela mesma insinua: sua relação com o capítulo XX do livro I, dos Ensaios de Montaigne, intitulado “Que filosofar é aprender a morrer”. Pretende-se mostrar, enfim, que, nessa “inverídica história sobre as intermitências da morte”, fabular é aprender a morrer.

REPRESENTAÇÃO DA MORTE NA LITERATURA

A morte, como desespero universal, continuará inspirando a literatura por ser um tema complexo, misterioso, que não pode ficar restrito ao campo das religiões e da fé e que, irremediavelmente, afeta a todos.Com os seus problemas característicos, o homem é o único animal que pode, muitas vezes de bom grado, abraçar o profundo sono da morte, mesmo sabendo que isso significa o esquecimento.

Considerando que a morte faz parte do desenvolvimento humano e que é um dos temas mais delicados de se tratar, especialmente quando envolve o esclarecimento do tema com crianças, o presente artigo tem como objetivo discorrer sobre a possibilidade de esse assunto ser abordado no ambiente escolar, valendo-se de obras literárias.

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